Ozon, Antony, Rufus

Frio, frio, frio. Hoje não tive ensaio de “Inocência”. Fiquei em casa, decorando o texto de uma personagem nova, que me coube há alguns dias, e que tem uma extensa e muito tocante fala. E também estou perto de concluir a edição da longa entrevista que Ivam e Rodolfo me concederam, e que vai integrar a edição do livro “Teatro dos Satyros: Um Palco Visceral”, que será lançado, se Dionisos quiser em breve, pela editora Imprensa Oficial.
Como neste mais gelado dos dias eu tinha de passar na escola do Wolf Maya, para entregar um papel, dei uma saída na hora do almoço, comi lá mesmo no Shopping Frei Caneca e aproveitei para vem “O Tempo que Resta”, do François Ozon, com Melvil Poupaud (lê-se pupô, puxando o ô a caminho de um d mudo). Agora estou de novo em casa. Pekim dorme em cima do monitor e ouço Antony and the Johnsons (1)equanto penso no filme do Ozon. Uma obra prima. Poupaud é um ator extraordinário. De uma simplicidade, economia e expressividade extraordinárias em alguém tão jovem. Faz Romain, um fotógrafo de moda superbadalado, que tem um belo namorado loirinho, Sasha, e certo dia desmaia durante uma sessão de fotos. Vai ao médico e descobre que tem um câncer agressivíssimo. Já com metástase. Que vai fazer Romain. Isso é que o filme investiga. Sem nenhuma migalha de sentimentalismo, Ozon conta a história de forma grandiosamente intimista. Simples, tudo muito simples. Sem nenhum apelo ao melodrama. Um filme obrigatório, que vou sair recomendando por aí feito louco. Tocante, triste, alegre, digno, e muito, muito emocionante, sem ser emocional. Ozon (2)é um cineasta irregular. “Gotas d’Água Sobre Pedras Escaldantes” e “Sob a Areia” eram maravilhosos. “Oito Mulheres” era melhor na idéia que na realização”. Aqui realiza uma pequena obra-prima. E depois do filme ouçam as canções pungentes de Antony, esse crooner singularíssimo e de uma sensibilidade que dói.
Estou louco para pôr as mãos no disco novo de Rufus Wainwright (3), “Want Two”. É um dos melhores cantores/compositores dos últimos 15 anos, um artista único, poeta que junta pop, rock e música lírica no mesmo saco, escreve canções sobre heroínas de óperas e sobre garotos gays que sofrem overdoses. Um artista maiúsculo. Vou correr atrás do novo trabalho e depois comento.

Escrito por Alberto Guzik às 17h27

 

1) Antony and the Johsons. Grupo musical norte-americano : http://www.antonyandthejohnsons.com/

(2) François Ozon (1967), cineasta francês.
http://www.imdb.com/name/nm0654830/

(3) Rufus Wainwright ( 1973) Cantor e compositor americano de origem canadense.
http://www.rufuswainwright.com/

 

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