{"id":229,"date":"2006-10-23T11:39:19","date_gmt":"2006-10-23T11:39:19","guid":{"rendered":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/?p=229"},"modified":"2021-11-30T20:42:28","modified_gmt":"2021-11-30T20:42:28","slug":"um-texto-do-rodolfo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/2006\/10\/23\/um-texto-do-rodolfo\/","title":{"rendered":"Um texto do Rodolfo"},"content":{"rendered":"<p>O diretor com quem mais venho trabalhando, Rodolfo Garc\u00eda V\u00e1zquez, figura que amo, respeito e admiro, escreveu o texto abaixo em seu blog, www.DeOlhosSempreAbertos.zip.net. Fiquei muito emocionado. Por isso transcrevo-o aqui. N\u00e3o por vaidade, que h\u00e1 muito deixei de ser vaidoso. Mas para expressar minha gratid\u00e3o e afeto. Viva o teatro!<\/p>\n<p><strong>A estr\u00e9ia de Inoc\u00eancia &#8211; ou &#8220;As belas li\u00e7\u00f5es de Alberto Guzik&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Quando Ivam e eu fundamos Os Satyros, \u00e9ramos inexperientes, mas sent\u00edamos que quer\u00edamos interferir no mundo, fazer algo, atrav\u00e9s da arte.<br \/>\nMas nossa ingenuidade nos levou a cometer muitos erros. Em um desses erros, ligamos uma vez para o Alberto Guzik, que era o grande cr\u00edtico do teatro na \u00e9poca e dissemos ou pedimos algo, eu n\u00e3o sei muito bem o qu\u00ea, que deve t\u00ea-lo irritado um pouco.<br \/>\nNa \u00e9poca, ele deu uma resposta s\u00e1bia e que martelou na nossa cabe\u00e7a durante muito tempo. Uma resposta que provavelmente na \u00e9poca n\u00e3o fosse algo muito especial para ele:<br \/>\n&#8211; Eu n\u00e3o quero brigar com voc\u00eas. Afinal n\u00e3o sei quem voc\u00eas v\u00e3o ser no dia de amanh\u00e3.<br \/>\nIronicamente, n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o sab\u00edamos quem ele seria no dia de amanh\u00e3. Foi uma bela aula de teatro.<br \/>\nQuinze anos depois, dividimos uma bela hist\u00f3ria com ele. Estamos defendendo projetos e id\u00e9ias apaixonadamente e vivendo experi\u00eancias incr\u00edveis juntos.<br \/>\nAlberto aceitou fazer Inoc\u00eancia sem ter texto algum a princ\u00edpio. Seu personagem n\u00e3o iria dizer uma \u00fanica palavra. Mesmo assim, ele aceitou fazer o espet\u00e1culo. Ele disse: &#8220;N\u00e3o me importo. Quero fazer esse projeto porque acredito nele e acredito em voc\u00eas.&#8221; A humildade desse que \u00e9 um dos maiores cr\u00edticos que o Brasil j\u00e1 teve foi uma li\u00e7\u00e3o incr\u00edvel&#8230;<br \/>\nMas as li\u00e7\u00f5es n\u00e3o pararam por a\u00ed.<br \/>\nAo final de Inoc\u00eancia, os personagens suicidas ficam todos nus ao final. E segundo a nossa leitura do texto da Dea, o Alberto seria um suicida que se entrega \u00e0s m\u00e3os de sua pr\u00f3pria mulher, que o mata. Ele seria, portanto, um dos suicidas nus. Colocamos a quest\u00e3o para ele. E ele, depois de uma reflex\u00e3o curta e clara, aceitou o desafio. Num certo sentido, foi uma surpresa para n\u00f3s ele ter aceito. Ver aquele cr\u00edtico que parecia t\u00e3o distante de n\u00f3s no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, mergulhar numa nudez plena de sentido po\u00e9tico \u00e9 uma experi\u00eancia emocionante. Algo que nunca vou esquecer. Algo que vai ficar na minha mem\u00f3ria para sempre. Mais uma vez, ele nos ensinou uma li\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel : aquele que ama verdadeiramente o teatro n\u00e3o se intimida diante de nada, nem diante das l\u00ednguas ferinas de seus inimigos, nem dos desafios que o teatro constantemente nos coloca.<br \/>\nSua nudez na \u00faltima cena \u00e9 a maior prova da paix\u00e3o daqueles que amam o teatro acima de tudo.<br \/>\nEnt\u00e3o ontem, mais um momento inesquec\u00edvel. O Antunes Filho assistiu a estr\u00e9ia e foi para o camarim cumprimentar os atores. Alberto Guzik ainda estava nu, pois os atores tinham acabado de sair do palco. O espectador Antunes Filho (1) abra\u00e7ou calorosamente o ator Alberto Guzik nu.<br \/>\nSe h\u00e1 trinta anos atr\u00e1s algu\u00e9m dissesse que um dia isso aconteceria, seria tomado como um louco delirante. Provavelmente nem mesmo os protagonistas dessa cena poderiam imagin\u00e1-la. Mas aconteceu, foi absolutamente real. Cena ins\u00f3lita, \u00fanica, absoluta.<br \/>\nAfinal, como ele mesmo diz:<br \/>\nN\u00f3s nunca poderemos saber o dia de amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Escrito por Rodolfo \u00e0s 14h23<\/p>\n<p>Escrito por Alberto Guzik \u00e0s 14h21<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O diretor com quem mais venho trabalhando, Rodolfo Garc\u00eda V\u00e1zquez, figura que amo, respeito e admiro, escreveu o texto abaixo em seu blog, www.DeOlhosSempreAbertos.zip.net. Fiquei muito emocionado. Por isso transcrevo-o aqui. N\u00e3o por vaidade, que h\u00e1 muito deixei de ser vaidoso. Mas para expressar minha gratid\u00e3o e afeto. Viva o teatro! 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