{"id":206,"date":"2006-08-17T17:11:42","date_gmt":"2006-08-17T17:11:42","guid":{"rendered":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/?p=206"},"modified":"2021-10-18T15:33:39","modified_gmt":"2021-10-18T15:33:39","slug":"a-vida-segundo-rafael","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/2006\/08\/17\/a-vida-segundo-rafael\/","title":{"rendered":"&#8220;A Vida&#8221; segundo Rafael"},"content":{"rendered":"<p>Tem um garoto chamado Rafael Gomes (1) que postou no blog dele (2) um texto incr\u00edvel sobre \u201cA Vida na Pra\u00e7a Roosevelt\u201d, com a qual voltamos ao cartaz no s\u00e1bado, 21, nos Satyros 1. Leiam o texto que o Rafael escreveu sobre o espet\u00e1culo. E vejam. Ou revejam. Beijos<\/p>\n<p><strong>TEATRO<\/strong><br \/>\n<strong>Rafael Gomes<\/strong><\/p>\n<p>A vida urbana \u00e9 algo complexo e fascinante. Qual foi o momento da Hist\u00f3ria em que decidimos nos aglomerar obsessivamente, canibalizando-nos para ocuparmos todos o mesmo espa\u00e7o? Com tanto mundo ainda vazio, qual \u00e9 o fen\u00f4meno que nos faz literalmente empilharmo-nos em pr\u00e9dios, trancarmo-nos em grades? Por que destru\u00edmos os espa\u00e7os vazios preenchendo-os com toda sorte de constru\u00e7\u00e3o (material)?<\/p>\n<p>E onde fica aquilo que fica de fora? Onde ficamos quando ficamos de fora?<\/p>\n<p>Numa selvagem floresta civilizat\u00f3ria (e civilizada?), qual o espa\u00e7o, afinal, que nos cabe como indiv\u00edduos?<\/p>\n<p>Se nenhum outro, a Pra\u00e7a Roosevelt, no centro de S\u00e3o Paulo. Se n\u00e3o para todos, para a companhia teatral Os Satyros, anjos tortos capazes de nos reposicionar no mundo e de sagrar \u00e0s margens da vida seu real encanto e pleno humanismo.<\/p>\n<p>A Vida na Pra\u00e7a Roosevelt, da dramaturga alem\u00e3 Dea Loher, levada \u00e0 cena pelo diretor Rodolfo Garc\u00eda V\u00e1zquez, \u00e9 espet\u00e1culo de comprimir a alma, arte redimindo pela dor e pela generosidade. Espelho invertido que se ergue defronte o p\u00fablico, a pe\u00e7a coloca \u201co(s) outro(s)\u201d, esse ser t\u00e3o perto e t\u00e3o longe, no seu devido lugar \u2013 o lado sombreado de cada um de n\u00f3s, o complemento, ainda que antit\u00e9tico, de nossos corpos, cora\u00e7\u00f5es, fraquezas e alegrias. A outra face da lua.<\/p>\n<p>Uma encena\u00e7\u00e3o faiscando de energia vital (que \u00e9 a energia teatral, e vice versa), que vibra como celebra\u00e7\u00e3o de encontro. Uma obra que \u00e9 Arte porque tem coragem sem prepot\u00eancia, ousadia sem gratuidade, garra leg\u00edtima, sinceridade em riso e pranto.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o estimula a est\u00e9tica com marca\u00e7\u00f5es, tons, sons, luzes, sentidos e sensa\u00e7\u00f5es que fazem borbulhar o jogo teatral. O elenco, homog\u00eaneo em sua deliciosa pluralidade, faz arder de \u00e9tica, com muito sentimento, as paredes gastas de um teatro apertado \u2013 mas que n\u00e3o precisa ser maior do que \u00e9 para conter em si o mundo inteiro.<\/p>\n<p>E a sintonia \u00e9 tal que faz palco virar plat\u00e9ia, ang\u00fastia virar arte, escurid\u00e3o virar luz (ainda que de uma lanterna) e margem virar centro (centro do palco, da pra\u00e7a, de S\u00e3o Paulo, centro palpitante e fr\u00e1gil do cora\u00e7\u00e3o). Enfim, eu virar o outro e, dessa forma, transformar-me mais, apenas e essencialmente em mim mesmo.<\/p>\n<p>E entre jovens e mais jovens, homens, mulheres, transexuais, altos, baixos, magros, gordos, nus e vestidos, todos t\u00eam sua particularidade, seu lado mais interessante a mostrar. Mas nesse esconde-esconde escancarado, submersos em uma verdade que transita do naturalismo ao expressionismo sem preju\u00edzos, a dignidade assombrosa de \u00c2ngela Barros e Ivam Cabral e o arguto controle dos limites da caricatura que possuem Fabiano Machado e Nora Toledo n\u00e3o podem passar despercebidos. Ah, assim como n\u00e3o se deixa de adorar a estatura \u00e9pica que atinge, aos poucos, a Aurora de Alberto Guzik.<\/p>\n<p>Voc\u00ea a\u00ed que tem medo, que morre de medo dos lobos-maus e Chapeuzinhos e Pinochios e an\u00f5es e Bambis e Dumbos e Cinderelas e madrastas e Belas-Adormecidas e ca\u00e7adores e vovozinhas da florestona S\u00e3o Paulo, fa\u00e7a um bem a si mesmo e v\u00e1 ver como anda a vida na pra\u00e7a Roosevelt, nos Satyros.<\/p>\n<p>\u00c9 capaz de voc\u00ea sair de l\u00e1 pelo avesso de voc\u00ea mesmo.<\/p>\n<p>Escrito por Alberto Guzik \u00e0s 19h59<\/p>\n<p>(1) Rafael Gomes<br \/>\n(2) <a href=\"http:\/\/rafaelgomes.blogspot.com.br\/\">http:\/\/rafaelgomes.blogspot.com.br\/<\/a> (?)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem um garoto chamado Rafael Gomes (1) que postou no blog dele (2) um texto incr\u00edvel sobre \u201cA Vida na Pra\u00e7a Roosevelt\u201d, com a qual voltamos ao cartaz no s\u00e1bado, 21, nos Satyros 1. 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