{"id":193,"date":"2006-07-19T08:00:26","date_gmt":"2006-07-19T08:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/?p=193"},"modified":"2021-10-05T13:00:26","modified_gmt":"2021-10-05T13:00:26","slug":"rodolfo-em-processo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/2006\/07\/19\/rodolfo-em-processo\/","title":{"rendered":"Rodolfo em processo"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e1bado. Termina \u201cA Vida na Pra\u00e7a Roosevelt\u201d. Saio do camarim (sou sempre um dos \u00faltimos, demoro pra desmontar a Aurora). No bar do teatro, cheio e borbulhante, como sempre, um jovem ator que acabou de assistir \u00e0 \u201cVida\u201d, conversa entusiasmado com Ivam, depois me cumprimenta pelo trabalho. Da\u00ed Rodolfo aparece. O ator entusiasmado fala coisas apaixonadas sobre a dire\u00e7\u00e3o da \u201cVida\u201d. E depois, pergunta admirado ao Rodolfo: \u201cComo foi esse processo?\u201d<\/p>\n<p>E nosso diretor: \u201cAh, sei l\u00e1. Os atores foram fazendo, e da\u00ed eu juntei tudo. Nem lembro mais direito como foi\u201d. Pode ser que ele n\u00e3o lembre, mas tem seus cadernos de dire\u00e7\u00e3o para servirem de lembrete. Rodolfo vive carregando grossos cadernos espirais, do tipo que a gente usa na universidade, e neles anota tudo que v\u00ea e ouve, relativamente ao trabalho. Registra o que lhe interessa. Desses cadernos v\u00e3o brotando os elementos que acabam por dar forma e sentido ao espet\u00e1culo. Ou seja, seu procedimento \u00e9 bem diferente de \u201cos atores v\u00e3o fazendo e da\u00ed eu junto tudo\u201d.<br \/>\nMas ele o oposto do diretor fechado, que obriga o ator a seguir um caminho pr\u00e9-tra\u00e7ado. Ao contr\u00e1rio. Trabalha exigindo uma colabora\u00e7\u00e3o estreita do elenco. As leituras da pe\u00e7a s\u00e3o marcadas por longas discuss\u00f5es, cena a cena, onde todas as ideias, at\u00e9 as mais estapaf\u00fardias, que sempre surgem em um processo de cria\u00e7\u00e3o, s\u00e3o levadas em conta. As improvisa\u00e7\u00f5es funcionam como um celeiro de imagens, algumas das quais podem definir o conceito da montagem. Esse processo coletivo \u00e9 filtrado e fixado depois por Rodolfo, que rascunha a montagem com o elenco, para da\u00ed passar a limpo todos os borr\u00f5es, chegando \u00e0 forma mais exata e ao cerne do que se deseja dizer.<br \/>\nCom \u201cInoc\u00eancia\u201d n\u00e3o est\u00e1 sendo diferente. O elenco inteiro est\u00e1 em ebuli\u00e7\u00e3o, buscando imagens, ideias, m\u00fasicas, lutando para entender a dific\u00edlima e fascinante pe\u00e7a de Dea Loher. At\u00e9 no entendimento da obra Rodolfo \u00e9 coletivo. O sentido vai sendo descoberto por todos, e n\u00e3o \u00e9 nunca imposto pelo encenador. Isso faz de n\u00f3s co-propriet\u00e1rios dessa leitura. O admir\u00e1vel \u00e9 que Rodolfo consiga isso em um texto que trata de derrotados, deprimidos e suicidas. Estamos empolgados com o texto como se ele fosse a obra mais agrad\u00e1vel do mundo, como se estiv\u00e9ssemos fazendo uma com\u00e9dia de Noel Coward (1). Duas semanas de trabalho, e o elenco est\u00e1 coeso, instigado. Atento. Vibrante. Isso \u00e9 resultado da condu\u00e7\u00e3o de Rodolfo, um senhor encenador.<\/p>\n<p>Escrito por Alberto Guzik \u00e0s 08h56<\/p>\n<p>(1) Noel Coward. (1899\/1973). Dramaturgo, compositor, ator, cantor e diretor ingl\u00eas. Sua obra \u00e9 marcada por humor e eleg\u00e2ncia, retratando \u2013 ou, por vezes, fazendo uma caricatura &#8211; o mundo dos ricos e dos aristocratas em pe\u00e7as como Blithe Spirit e Private Life. Ainda que tamb\u00e9m fale da classe m\u00e9dia, como por exemplo em Still Life, que ele depois transformou no roteiro de Brief Encouter (1945), cl\u00e1ssico rom\u00e2ntico dirigido por David Lean.<\/p>\n<p><strong>Raul<\/strong><\/p>\n<p>Em 60 e pouquinhos, eu vi Raul Cortez fazendo Teteriev, n\u2019\u201dOs Pequenos Burgueses\u201d do Oficina . Tinha Kusnet no elenco, Borghi, Etty Fraser, C\u00e9lia Helena, s\u00f3 feras. E Raul brilhava com mais intensidade ainda que essas feras todas. Era um ator possesso. N\u00e3o h\u00e1 outra palavra. Quem viu \u201cVereda da Salva\u00e7\u00e3o\u201d(7) sabe. Um grande ator. Possesso. Far\u00e1 falta.<\/p>\n<p>Escrito por Alberto Guzik \u00e0s 09h02<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e1bado. Termina \u201cA Vida na Pra\u00e7a Roosevelt\u201d. Saio do camarim (sou sempre um dos \u00faltimos, demoro pra desmontar a Aurora). No bar do teatro, cheio e borbulhante, como sempre, um jovem ator que acabou de assistir \u00e0 \u201cVida\u201d, conversa entusiasmado com Ivam, depois me cumprimenta pelo trabalho. Da\u00ed Rodolfo aparece. O ator entusiasmado fala coisas apaixonadas sobre a dire\u00e7\u00e3o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":194,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pgc_sgb_lightbox_settings":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-193","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-posts"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193"}],"collection":[{"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=193"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":195,"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193\/revisions\/195"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/albertoguzik.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}